terça-feira, 24 de março de 2009

Era uma vez um fim!


Palavras silenciadas
Do que se passou e há de vir
Memórias, profecias fechadas,
Até o meu cérebro ruir!

Morre o querer esquecer
Nem que tenha de temer.

Morro contigo quando te fores!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Recolhe-me "Mania"


Dá-me a tua vida para me poder matar,
Estou quase morto que nem a maré baixa do mar!
Um cão a arfar!
Um turista de vida a contemplar.
Sem poder usufruir ou desejar.
Nem um grito para apaziguar!

O horizonte está perto!
Porque eu sou ele, isso é certo.
O meu corpo ilustre a descoberto
Mas ninguém o vê nem de olho bem aberto.

Não voo, nem com o vento
Tempestades deixaram de ser um contra-tempo
O caracol ficou mais lento!
Espero morrer de tempo.

Ironia, leve e sombria
Chama-me a sinfonia

Orquestra de violinos e tambores
Esquecem-se as cores

Morro sem existir
Morro sem saber o que há de vir!
Nota: Mania - deusa romana dos mortos, que é mae dos fantasmas

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Guilhotina!

O desalmado caminha, sentindo cada pedra do seu caminho,
Condenado por ver e gostar,
Pelo toque pelo respirar,
A sua amada possessa pela tristeza entre centenas que gozam.
"Réu, a sentença foi dita"
E com nada mais se depara, a não ser com um monstro,
Onde o sol incide e não o faz mais bonito.
As suas ultimas palavras foram assumidas pelo seu ultimo choro.
Já sem esperança deita a cabeça,
Quando ouve um som, um serpentiar!
Agora está a roda!
Mais leve e sem enjoo pára em frente à triste amada.
Esta já não é o que era, a cara estava pálida como quem beijou a morte,
mas não importava, ainda a amava!
Enquanto tinha consciencia, o tremer leve dos labios,
desenhou uma palavra no ar rarefeito.
De nada se apercebeu, por nada morreu.



domingo, 11 de janeiro de 2009

Fernando Pessoa Ortónimo



Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.


Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei


Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,


Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,


Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.


E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.


Fernando Pessoa


E aqui…Eu vi, vi por palavras que a angústia me corrói neste desesperançar de viver-morrer, num amontoado de pensamentos sem o mínimo vislumbre, sem uma fugaz escapatória quase possível… E o aprisionamento a este corpo atrofia-me a nesga quase possível da aragem para o lado de lá…Enquanto jovem que sou, procuro o meu ser-ter-estar, um propósito sem propósito, um rumo, zumbido de zéfiro, ou o decifrar a nuvem que tudo obnubila.As palavras mostram-escondem que a minha deriva é contínua… na busca de o não sei o quê… Como posso anular o meu ser antes mesmo de o conhecer, até mesmo, desejar a morte? Não sou suicida, apenas quero um bilhete de ida, de “barco” para o “porto” e não voltar…Vejo muros pintados pela espessa tinta das sombras: elas rodeiam-me, e eu, sem saber porquê, continuo à deriva, em fuga. Então, por que existo? Há sentido? Há razão? A minha loucura não é suficiente para entender isto e aquilo e aqueloutro?Para onde quer que vá não haverá o que procuro e morrerei como cheguei ao mundo - sem sentido.Olharei, sem nada ver; apalparei sem nada sentir; beberei sem parar; respirarei o ar viciado de uma luz tão ténue que nem a vejo; abrirei os ouvidos sem nada escutar e todo o meu corpo está alquebrado pela fúria da palavra.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Natureza.


Visto cá de baixo, o céu!
E no inverno fica mais “limpo”.
As folhas rastejam até o seu derradeiro leito.
A vida esmorece perante o frio.
Mas mais nada há a não ser tudo!
E numa musicalidade contínua serpenteiam gotas
Enchendo caminhos e caminhos, sem fim!
Magoamo-la, e ela afoga-nos com o seu choro!
Rezamos para parar, somos loucos!
Mas ela o é...
até que um dia volta o dia.
E mais uma oportunidade para estragar.

domingo, 9 de novembro de 2008

Silencio Abraça-me!


O crepúsculo, uma paisagem que me observa, esta estatua envelhecida pelo tempo.
Veias de granito ou pedra qualquer, estão congeladas pela escassez de vida!
Convenço-me que a morte não vive em mim. Mas a desejo…
Venham as chuvas me desgastem!
Venham os ventos, me derrubem!
Por Terra ou por Mar, tanto me faz…
Que o silencio me abrace, que perdure.
Neste corpo nu e ilegível, olhos baços, cegos de tempo.
Chegou o FIM.
E morro ironicamente em sono!

domingo, 19 de outubro de 2008

Vagabundo


Vê o invisível, é o que não é.
Navega, terra e mar, aprende a divagar.
De porto a porto, de casa em casa, deixa uma marca!
Essa marca, é uma imagem, que vive em quem o vê.
É um desconhecido, tratam-no por forasteiro.
Mas quem conheceu o mundo de pólo a pólo foi ele.
Vive dele e ele será a sua casa.
Ninguém o quer ninguém o respeita.
Mas na sua perfeita resposta, um sorriso basta!
E segue caminho, destemido entre os temíveis barulhos, que para ele são tão companheiros!

Mas o que se passa? Porque chora ele?
O seu sorriso, morreu.
Porque dentro de uma casa tão grande, é o mais desconhecido, um mundo sem vivalma.
E de repente uma luz, um perfume que lhe encanta o olfacto.
Uma mão, com toque de seda, que lhe limpa as lágrimas.
O que viu ele?
E entre gaguejos o vagabundo disse, um ser, humano!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

História de uma obra!




A tinta quase gasta, salpica detalhadamente como um contorno! Já não é preta, é cinza!




A melodia tão agreste, mas suave como chuva, ouvida por baixo de folhas!




Cravadas a pancadas, estas putrefactas palavras!

Monotonia bem viva, num corpo sem vida!

Que se Rege por deuses inexistentes! Morrerá!

Um corpo sozinho,

Uma morte que não tirará uma vida!

Agora as letras estão gastas, o tinteiro acaba.



E quando não pode mais escrever, o deseja!



Ja tudo se vê preto!

Sem qualquer saliência.


Ou luta, ou resistencia.


A obra acaba!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Uma escolha...


Desespero e cobardia o meu corpo e alma sentem, num precalço o meu pensamento fica branco, e dou um passo! Sinto-me tão livre, estou a voar, as lagrimas voam comigo, as mágoas soltam-se como se nada fossem, e feliz me encontro. De olhares espantados e lacrimejados sou alvo, enquanto este vento cada vez mais forte me despe as vestes junto com qualquer sentimento! Fecho os olhos, e sinto paz, mais nada! Mas a paisagem quero apreciar, e agora que olho para baixo... apercebo-me... o chão está cada vez mais perto, sinto agonia, tristeza, horror, dor, mas principalmente medo! Quero voar, quero ser feliz, mas agora que penso e tudo me é claro! O derradeiro passo dei, e agora, com uma morte certa me deparo!
...
"Para lá da morte, o desconhecido! Tal como era o mundo antes de alguem o ver ouvir cheirar e sentir! O medo do desconhecido é o medo de nós própios! A morte é uma figura de incertezas mas nem por isso é algo a temer"

A Chamada! Breve e curta Chamada!


A vida é feita de felicidade, de tristeza, e isto tudo, em sentimentos! Cada um expresso de uma forma diferente, fisicamente!Redijo este texto com um pensamento divagado, mas organizado, tentando obter uma acção cruel, mas humana! “A chamada”.Em cada suspiro, cada grito agonizante, que estremece a Terra desamparada no infinito, o desespero tal que “tais” ouvidos, incapazes e deficientes, não conseguem ouvir, são estes ”muitos dos” ouvidos humanos.Mas o problema não está nos ouvidos, mas sim em quem os tem, e não é apenas esse o sentido, a visão também - culpados, aqueles que vêem e criticam ou discriminam!O tacto. Ah! O tacto, coisa mais doce e culpada! Estes seres cruéis, que não tocam, que não sentem a pele do outro, e que acabam por desvalorizar e fazer isolar em partes aquilo que temos para conhecer, a linda e assustadora, comunidade!E quando a dor já assusta e faz parar o ser numa palidez melancólica, as cordas vocais, mas que poderosas, estas armas letais, para os “outros” ouvidos inocentes e ingénuos.Sabor, aquele, menos expresso, menos visto mas desde cedo conhecido e experimentado ao máximo, esse apenas fica entalado com o sentimento de revolta para com o “outro”.E assim se escreve por cifra de palavras que geram a incógnita que cada um verá por breves segundos depois de prestar atenção, e saberá como agir! Racismo! Já não basta estarmos isolados numa migalha do universo? Ainda nos queremos isolar de seres iguais! Chega disto, prefiro ficar mudo, cego, surdo, e tudo mais! Chega!